6ª Jornadas (2025)

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A VI Jornadas do LEGH – Laboratório de Estudos de Gênero e História – aconteceu na UFSC nos dias 29, 30 e 31 de outubro de 2025, em Florianópolis, Santa Catarina. Esta edição teve como tema “Misoginia ontem e hoje: ameaças e resistências” e foi um evento comemorativo, em alusão ao aniversário de 20 anos do LEGH.

Cadernos de Resumo: disponível aqui

Anais do Evento: em breve

Eixos Temáticos – VI Jornadas do LEGH

1. Feminismos

Encaixam-se neste eixo propostas que envolvam o estudo de grupos, movimentos sociais, ações políticas e acontecimentos que possam ser relacionados aos feminismos, experiências de militância e ativismos de mulheres. A interseccionalidade é categoria transversal na construção das análises e explicações dos trabalhos deste eixo, que podem partir de diversos cenários, seja a rua, a academia, as instituições, organizações não governamentais, na internet ou em qualquer outro meio/local.

2. Mulheres na Política

Este eixo contempla trabalhos sobre a participação das mulheres em eleições numa abordagem interseccional, os movimentos que reivindicaram o voto para mulheres, a relação com partidos políticos, as leis que buscam ampliar a participação de mulheres nos espaços de poder, estudos comparativos sobre mulheres eleitas e suas trajetórias, as violências políticas de gênero, a presença de mulheres em cargos políticos não elegíveis, como secretárias e ministras, entre outros. Neste eixo são consideradas mulheres as pessoas que assim se identificam.

3. Misoginia, assédio e outras violências

Encaixa-se neste eixo qualquer proposta que analise, observe e problematize as múltiplas formas de violência contra as mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, como a misoginia, o sexismo e suas interseccionalidades com raça/etnia, classe, sexualidade, religião, capacidade, origem etc., e suas manifestações em espaços institucionais, na internet, nas relações de trabalho, na família, na educação, entre outros.

4. Gênero e Ciência

Contempla-se neste eixo qualquer proposta que reflita sobre a presença de mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, negras, indígenas, quilombolas e outros grupos vulnerabilizados na carreira acadêmica e nas várias áreas da Ciência. Podem ser inscritos trabalhos sobre trajetórias na Ciência, índices sobre a presença desses grupos em determinada área ou grau de escolaridade, obstáculos para o desenvolvimento científico destes grupos e outras temáticas relacionadas.

5. Memória e Gênero

Este eixo propõe pensar a construção da memória em sua conexão com as relações de gênero. Contempla trabalhos que realizam essa reflexão a partir das histórias, experiências, trajetórias de vida e vivências de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ e que apresentem diferentes lentes de análise, através de uma abordagem interseccional e descentralizadora. Trabalhos que se utilizem da História Oral como metodologia são bem-vindos, considerando sua potência na produção e valorização de memórias subalternizadas e plurais.

6. Gênero e Interseccionalidades nas Artes, Mídias e Internet

Este eixo é dedicado a trabalhos que investiguem as relações entre mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ com práticas artísticas (cinema, artes visuais, literatura, teatro, música etc.), com mídias tradicionais e plataformas digitais, privilegiando abordagens que mobilizem a interseccionalidade como lente de análise. Com perspectiva de gênero e suas interseccionalidades, também iremos refletir sobre como esses campos podem ser, ao mesmo tempo, reprodutores de violências (como misoginia, LGBTfobia, classismo e racismo) e de resistências, promovendo diferentes níveis de articulação política.

7. (R)Existências LGBTQIA+

Este eixo temático busca reunir pesquisas dedicadas às formas de produção de vida e resistência da população LGBTQIAPN+. São bem-vindos trabalhos que dialoguem com diferentes campos da história a partir do uso de múltiplas linguagens e fontes históricas e que investiguem as subjetividades, as artes, artivismos e ativismos a partir de múltiplas dimensões no passado e no presente em contraposição às formas de violência sociais, culturais, políticas e econômicas produzidas pela estrutura cisheteonormativa.

8. Gênero e Ensino

Este eixo busca reunir pesquisas, intervenções pedagógicas e relatos de experiência que visem discutir os desafios e possibilidades das teorias e práticas de ensino estruturadas pela valorização do gênero no combate ao sexismo na cultura escolar. Receberemos propostas que: analisem os usos da categoria gênero nos currículos, materiais didáticos e de apropriação didática e nas aulas de história em seus diversos formatos; que debatam sobre a ampliação das mídias sociais no cotidiano de estudantes e professores/as, ao mesmo tempo em que os espaços de ensino-aprendizagem vivem a disseminação de uma cultura digital da violência; e abordagens que marquem a importância das lentes de gênero na esfera da educação básica e da formação inicial, incluindo educação infantil, letramento digital de jovens e adultos/as, o Estágio Supervisionado Curricular, entre outros.

9. Interseccionalidades e Direitos Reprodutivos

Este eixo propõe uma reflexão crítica sobre os direitos reprodutivos a partir de uma abordagem interseccional. Serão acolhidas propostas que: abordem as diversas experiências relacionadas à (não) autonomia reprodutiva, tais como maternidades, paternidades, contracepção, aborto, esterilização, entre outras; analisem políticas públicas e legislações relacionadas ao tema, retrocessos e ataques direcionados aos direitos reprodutivos; explorem iniciativas de resistência, mobilização social e promoção da justiça reprodutiva em diferentes contextos.

Minucursos e Oficinas – VI Jornadas do LEGH

Minucurso 1: “Nem só da falta do pão vive ela: as composições musicais de Carolina Maria de Jesus”
30/10 – 8h às 10h – Auditório Bloco F
Presencial (2h)
Proponente: Joyce Luciane Correia Muzi (IFPR/UTFPR).

Ementa: Felizmente muitas pessoas atualmente já ouviram falar da escritora Carolina Maria de Jesus. O que pouco se conhece é que além de escritora e intelectual, Carolina também produziu canções. E que além de escrevê-las, ela também foi intérprete. Na esteira do sucesso do seu primeiro livro, Quarto de despejo, lançado em 1960, Carolina nos surpreendeu também na música. O objetivo deste minicurso é apresentar suas composições de modo a compreender sua visão de mundo, que revela alguns temas já presentes em seu livro mais famoso, mas que também inaugura novos, demonstrando cada vez mais sua intelectualidade. Num primeiro momento, apresentaremos brevemente a biografia da artista. Na sequência, a partir da escuta das canções, isto é, da fruição, buscaremos perceber como ela constrói sua poética por meio da linguagem, mas sobretudo dos ritmos e da sensibilidade. Para isso faremos uso de um notebook, uma caixa de som, projetor de slides e cópias das canções. A previsão de trabalho é de aproximadamente 2 horas.

Minicurso 2: “Como pensar as imagens? Um diálogo entre gênero, corpos e tempo”
30/10 – 8h às 10h – Auditório Bloco E

Presencial (2h)
Proponentes: Giovanna Trevelin (Doutorado em História/UFSC), João Pedro Brunetti dos Santos (História/UFSC) e Roberto Claudino Fernandes da Silva (Doutorado em História/UFSC).
Ementa: O minicurso propõe reflexões sobre imagens em suas relações com o tempo. O foco principal é pensar como os corpos encontram-se histórica, política e esteticamente, levando em conta as relações de gênero que os atravessam. Nesse percurso, identificamos três caminhos: como o corpo das amas de leite, antes colonizado e generificado, foi reiteradamente convocado como sustentação através de imagens que circularam sob o olhar colonizador, em fotografias de viajantes e registros de época, assim carregando memórias e traumas coloniais que chegam até nós e acabam por ser reconfigurados e ressimbolizados por novas leituras críticas e pela arte contemporânea; os trabalhos contemporâneos de jovens artistas brasileiros que reutilizam imagens fotográficas do alemão Alberto Henschel, radicado no Brasil no século XX e conhecido por sua série ‘Tipos de Negros’; e de que maneira obras como Guernica (1937), de Pablo Picasso, e Criança Morta (1944), de Cândido Portinari, exemplificam a potência expressiva da arte ao corporificar a dor humana e articular engajamento político, recorrendo a fórmulas patéticas (pathosformel) que atravessam séculos, da tradição da Pietà às representações modernas da guerra e da miséria social. Nessa perspectiva, buscamos expandir a narrativa histórica e visual, evidenciando outros referenciais e corpos que se impõem como agentes ativos na construção da memória e da história. Com isso, nosso objetivo é pensar criticamente determinados contextos sociais e históricos a partir das imagens, em um exercício de reinterpretação de narrativas que sobrevivem ao tempo. Ao aproximarmos imagens históricas da arte contemporânea, pretendemos ampliar o repertório imagético coletivo, questionando discursos estabelecidos, lugares sociais e homogeneidades, e explorando como as imagens, impregnadas de temporalidades diversas, permanecem atuantes em nosso presente.  A metodologia do minicurso está ancorada na História da Arte e nos aportes teórico-metodológicos de Aby Warburg e Georges Didi-Huberman, particularmente nos conceitos de Nachleben (sobrevivência) e anacronismo. Com Warburg, entendemos que as imagens não estão fixadas no tempo de sua produção, mas carregam resíduos e fantasmas de outros tempos, reaparecendo sob novas formas. Já Didi-Huberman amplia esse debate, mostrando como as imagens embaralham temporalidades, ativando passados no presente e reconfigurando sua potência política e sensível. Partiremos, assim, da análise de imagens em sua “vida póstuma”, observando como fórmulas expressivas atravessam épocas e se reconstituem em diferentes contextos. Como prática, utilizaremos a justaposição e montagem de imagens, inspiradas no Bilderatlas Mnemosyne, para revelar conexões profundas e anacrônicas entre corpos, temporalidades e representações visuais. Ou seja, na contemporaneidade, caracterizada pela intensa circulação de imagens e pela aceleração dos fluxos de produção e compartilhamento, coloca-se uma questão: quais imagens selecionar, preservar e reinscrever no presente? Muitas imagens históricas têm sido continuamente mobilizadas em diferentes contextos na arte contemporânea, adquirindo novos sentidos, ressignificando outros sujeitos e funções. Este minicurso propõe abordar as imagens como arquivos e como matéria da arte, explorando processos de montagem e remontagem que possibilitam a elaboração de novas perspectivas sobre o presente e sobre as relações sociais e de gênero, assim como a ressignificação tanto das próprias imagens quanto das memórias históricas nelas implicadas.
Materiais utilizados: Projetor e Imagens em alta resolução.

Minicurso 3: “Relendo a figura da bruxa sob perspectivas históricas e literárias contemporâneas”
30 e 31/10 – 8h às 10h
On-line (4h) 

Proponentes: Letícia Victória Alves Borba (Letras Português/Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará) e Marcus Vinicius Reis (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará).
Ementa: A proposta tem como objetivo promover uma abordagem crítica e interdisciplinar sobre o fenômeno da bruxaria, articulando elementos da historiografia, da teoria feminista e da crítica literária. O minicurso será dividido em dois módulos que buscam refletir sobre a construção histórica e simbólica da figura da bruxa, os processos sociais e culturais envolvidos nas perseguições inquisitoriais e os modos como esse imaginário tem sido ressignificado na literatura e na teoria crítica.
Módulo 1: As teorias feministas e as análises sobre o fenômeno de caça às bruxas a partir da década de 1980.
• A virada do gênero e as teorias feministas a partir da década de 1980. Uma história da historiografia sobre o fenômeno de caça às bruxas e novas possibilidades de análise e pesquisa sobre a bruxaria.
Módulo 2: Bruxaria e crítica literária feminista.
•  Analisar a construção da figura da bruxa em Eu, Tituba: bruxa negra de Salem (2019), de Maryse Condé, a partir da crítica literária feminista, com ênfase na reconfiguração simbólica da bruxaria, na valorização dos saberes femininos e na subversão dos discursos históricos e patriarcais operada pela narrativa.
Referências:
Bethencourt, F. O imaginário da magia: feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal no século XVI. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Condé, M. Eu, Tituba: bruxa negra de Salem [recurso eletrônico]. Tradução de Natalia Borges Polesso. 1. ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.
Hutcheon, L. Metaficção historiográfica: “o passatempo do tempo passado”. In: Hutcheon, Linda. Poética do pós-modernismo: história, teoria, ficção. Rio de Janeiro: Imago, 1991. p. 141-162.
Scott, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, 2017. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721. Acesso em: 30 maio 2025.
Golubov Figueroa, N. L. La Crítica Literaria Feminista. Coyoacán: Universidad Nacional Autónoma de México, 2012.

Minicurso 4: “Mulheres e suas escritas (extra)ordinárias”
31/10 – 8h às 10h – Auditório Bloco F
Presencial (2h)

Proponentes: Mariana Vogt Michaelsen (UFSC) e Tânia Regina Oliveira Ramos (UFSC).
Ementa: Adélia Prado diz que “mulher é desdobrável”. Diante de destinos ou imposições, elas souberam desdobrar papéis e escreveram neles outros modos de ser. Assim, o cotidiano gesto de escrever cartas, diários e receitas culinárias revela não apenas uma escrita de si, mas também a criatividade manifesta em fazeres habituais, ordinários. Propomos, neste minicurso, revisitar narrativas de autoria feminina que transformam o ordinário em extraordinário, o cotidiano em ficção. Nesse sentido, as cartas, os diários e os cadernos de receitas, que foram historicamente compreendidos como uma escrita menor, são aqui evidenciados, no sentido de repensar as distâncias entre o íntimo e o que se revela, o que circula, o que é endereçado e o que se articula coletivamente. Sendo assim, propomos a leitura e o aprofundamento de contos, poemas e trechos de romances de autoria feminina que articulam modos de escrita autorizados às mulheres no passado. O movimento feito por escritoras contemporâneas, portanto, revisita o passado e projeta outros presentes por meio da ficção.

Minicurso 5: “Estudos Maternos e Feminismos em Perspectiva Interdisciplinar”
31/10 – 8h às 10h 

On-line (2h)
Proponente: Natália Conceição Silva Barros Cavalcanti (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE).
Ementa: O mini curso propõe uma introdução ao campo dos Estudos Maternos, em diálogo com diferentes correntes dos feminismos, explorando suas múltiplas dimensões em uma perspectiva interdisciplinar. A maternidade será apresentada como categoria de análise histórica, social, política e cultural, permitindo reflexões sobre as relações entre gênero, trabalho, subjetividades, saúde mental, interseccionalidade e direitos reprodutivos. Teremos como objetivos: apresentar os estudos maternos como campo de pesquisa emergente nas ciências humanas e sociais; discutir a maternidade como categoria de análise em articulação com os feminismos; explorar abordagens interdisciplinares envolvendo história, sociologia, pedagogia, psicanálise, literatura e políticas públicas; promover a reflexão crítica e coletiva sobre experiências maternas em suas diferentes interseccionalidades (classe, raça, sexualidade). O mini curso será conduzido por meio de exposição dialogada com apoio de slides, intercalada com momentos de debate coletivo e uma atividade prática de reflexão em grupo. O espaço será pensado para favorecer a participação ativa e a troca de experiências entre os/as participantes.

Minicurso 6: “O gênero como ferramenta política: jogos e estratégias na eleição de mulheres em Santa Catarina”
31/10 – 8h às 10h – Auditório Bloco E
Presencial (2h)

Proponentes: Bruna Busnello (Programa de Pós-Graduação em História/UFSC) e Júlia Schuster Strack (História/UFSC).
Ementa: É herança do mundo antigo ocidental as distinções entre a esfera pública (pólis) e a vida privada, do lar e da família (oikia) estabelecidas sob a divisão sexual dos espaços. O domínio da pólis, dados na ação pública e no discurso, eram exercidos por homens, enquanto as mulheres deveriam permanecer no ambiente privado, pois deveriam dedicar suas vidas ao cuidado e à maternagem, devido às suas condições “naturais”. É preciso considerar que essas configurações estabelecidas no tempo, se traduzem em fatores que reduzem as possibilidades de atuação política das mulheres: disponibilidade de tempo livre; dificuldade de acesso a possuir renda e, por conseguinte, possibilidades de criar redes de contatos. Contudo, há quase um século, muitas mulheres rompem com tais barreiras e ocupam cargos na política institucional. Muitas delas, utilizam dos papéis culturalmente estabelecidos como mães e cuidadoras para alcançar objetivos eleitorais. O que vemos nesse cenário, são mulheres fazendo o “uso do gênero” tanto nas candidaturas como depois de eleitas. Para compreender esse processo, utilizamos o conceito de “jogos de gênero” de Luc Capdevila (2022), permitindo-nos pensar de que forma o gênero pode ser estratégico no espaço político. Por isso, este minicurso tem como objetivo discutir as formas como esses jogos são mobilizados por mulheres eleitas para o cargo executivo (prefeitas) e legislativo (deputadas) em Santa Catarina. Pretendemos abordar a maneira como o gênero é acionado em situações específicas como algo benéfico; quais os impactos destas ações e como as mulheres eleitas se beneficiam ou não por conta disso. A metodologia proposta parte da análise de entrevistas realizadas com mulheres que ocuparam cargos tanto no executivo municipal como no legislativo catarinense. A análise das fontes orais nos permitem observar como as próprias mulheres interpretam suas trajetórias políticas, suas estratégias de campanha e atuação durante o mandato. Com suas narrativas, é possível perceber de que maneira os discursos sociais de gênero (como a sensibilidade feminina ou a associação ao “cuidado”), são apropriados ou contestados pelas mulheres em cargos de poder. Interligando seus relatos, podemos compreender de quais maneiras essas mulheres utilizaram o gênero para serem eleitas, bem como durante seus mandatos políticos. Serão utilizados como materiais principais as entrevistas transcritas, que servirão de base para o debate, bem como os slides de apoio contendo trechos selecionados, conceitos chave e referências teóricas que dialogam com o tema. A duração prevista do minicurso será de duas horas, divididos em momentos de forma a articular teoria, análise de fonte e discussão coletiva. Com isso, esperamos oferecer um espaço de reflexão crítica sobre a atuação política das mulheres em Santa Catarina, destacando como os “jogos de gênero” podem ser acionados como recurso, mas também como campo de disputa. O minicurso, assim, busca contribuir para o debate sobre gênero e política, ampliando a compreensão das estratégias que marcam a presença das mulheres nos espaços de poder, tendo em vista que o cenário político catarinense é historicamente marcado pelo conservadorismo e pelo crescimento de partidos da direita.

Oficina 1: “Construindo projetos de pesquisa a partir de epistemologias e ontologias feministas negras”
30 e 31/10 – 8h às 10h – Mini auditório do CFH
Presencial (4h)
Proponentes: Katharine Trajano (PPGICH/Universidade Federal de Santa Catarina; Coalizão Negra por Direitos; Desterro: Observatório de Violência em Florianópolis) e Maria Eduarda Delfino das Chagas (PPGPsi/Universidade Federal de Santa Catarina; Unisul).
Ementa: Nesta oficina convidamos todes à navegar por algumas chaves interpretativas téoricas e metodológicas do feminismo e transfeminismo negro para a feitura de projetos de pesquisa interdisciplinares nas Humanidades, ou, ainda, projetos culturais e de intervenção social, dividindo o encontro em dois momentos formativos. Ao final da oficina, as pessoas participantes serão convidadas à registrar e partilhar coletivamente suas propostas utilizando algumas das ferramentas apresentadas.
Módulo 1: A ideia aqui é nos voltar aos textos de autoras como Cláudia Pons Cardoso, Lélia Gonzalez, Patricia Hill Collins, Denise Ferreira da Silva, abigail Campos Leal, Angela Figueiredo, Gloria Anzaldúa, Audre Lorde e Conceição Evaristo, para refletir sobre as imbricações com os trabalhos em curso ou a serem iniciados pelas pessoas participantes.
Módulo 2: Vamos debater a escrita de projeto como movimento de confabulação e práxis emancipatória, que passa também pelo entendimento destes “novos” projetos de mundo e de identidades em disputa. Serão perguntas disparadoras: De quais território surgem as nossas pesquisas? Como raça, gênero e sexualidade são categorias que nos atravessam e atravessam nossos temas de pesquisa e interesse? Quais inscrições e implicações essas intérpretes nos convidam a fazer?
Como material, utilizaremos o data-show para apresentação, Post-its e Cartolina. Como metodologia, nos guiamos pela teoria do ponto de vista negro, a partir dos trabalhos de Cláudia Pons Cardoso e Patricial Hill Collins.

Oficina 2: “Epistemologias feministas em imagens e arquivos nos cinemas brasileiros”
30 e 31/10 – 8h às 10h
On-line (4h)
Proponentes: Hyndra Gomes Lopes (Universidade Federal da Bahia).
Ementa: Como a perspectiva de gênero emerge para se analisar acervos de imagens e arquivos fílmicos? O objetivo desta oficina é enveredar pelos cinemas feitos por mulheres no Brasil e construir um breve panorama histórico das cineastas em um jogo temporal entre as autorias nos anos 1970 e no mundo atual. Para isso, categorias serão acionadas, tais como: memórias, contextos, identidades, diversidades, discussões étnico-raciais, interseccionalidades e relações com os territórios. A partir disso, a oficina se implica como um espaço de reivindicação política, de modo a engajar percepções acerca do uso de arquivos e imagens e como estas podem ser insubordinadas, de modo a subverter narrativas hegemônicas que marginalizam mulheres do direito à memória. O objetivo é refletir criticamente noções epistemológicas de imagens e arquivos, a partir de perspectivas teóricas feministas. As imagens dos cinemas brasileiros estão vivas, pulsantes e merecem ser retomadas. Arquivos emanam silêncios, podem ser fabulados criticamente (Hartman, 2020) e merecem uma escuta propositiva (Campt, 2017). De que modo promover uma política ontológica (Mol, 2007) e performar um mundo implicado (Ferreira da Silva, 2019), contra a misoginia, o racismo e as mazelas sociais maximizadas pelo capitalismo, colonialismo e outros sistemas de opressão? O cinema é uma expressão da memória coletiva, documenta épocas e as práticas artísticas são agentes para novos sentidos na historiografia e contribuem para a reivindicação de narrativas encobertas. No âmbito metodológico, os dois encontros, cada um com carga horária de 2 horas, serão expositivos dialogados com discussões sobre epistemologias feministas, debates sobre noções de imagens e de arquivos, exibições de filmes, rodas de conversa, orientações para o exercício reflexivo e a partilha coletiva. Os materiais didáticos serão pautadas em bibliografias de escritoras feministas com discussões de produções de imagens, histórias e arquivos, com material de apresentação, além disso a exibição de alguns curtas-metragens feitos por mulheres também serão recursos utilizados. Ao longo desta oficina, cada pessoa se implicará em um exercício prático-reflexivo, com o intuito de expandir os diversos usos das imagens e dos arquivos nos cinemas brasileiros. Ao final, estudantes serão incentivadas a partilharem uma reflexão imagética e arquivista.
Bibliografia:
CAMPT, Tina M. Listening to Images. Durham: Duke University Press, 2017.
FERREIRA DA SILVA, Denise. A dívida impagável. São Paulo: Oficina de Imaginação Política e Living Commons, 2019.
HARTMAN, Saidiya. Vênus em dois atos. Revista Eco-Pós, 23(3), 12–33, 2020.
MOL, Annemarie. Política Ontológica: algumas ideias, várias perguntas. In: NUNES, João; ROQUE, Ricardo (orgs.). Objectos impuros. Experiências em estudos sociais da ciência. Porto: Edições Afrontamento, 2007.

 

Programação completa

Coordenação Geral
Joana Maria Pedro
Cristina Scheibe Wolff
Janine Gomes da Silva
Jaqueline Ap. Martins Zarbato

Comissão Científica
Joana Maria Pedro
Cristina Scheibe Wolff
Janine Gomes da Silva
Jaqueline Ap. Martins Zarbato
Morgani Guzzo
Elaine Schmitt
Rosemeri Moreira
Claudia Regina Nichnig
Nashla Aline Dahás Gomozias
Mateus Gustavo Coelho
Alina dos Santos Nunes
Jaine Aparecida de Oliveira
Noelen A. Weise da Maia
Raquel Lopes
Emmanuela Harakassara
Isabela Regagnan
Giovanna Trevelin

Comissão de Monitoria
Morgani Guzzo
Rosemeri Moreira
Jaqueline Ap. Martins Zarbato

Secretaria
Morgani Guzzo
Luísa Chiele Silva
Júlia Schuster Strack
Raquel de Queiroz Davidson
Ana Luiza Zanetti
Kai Ourique
Vera F. Gasparetto

Divulgação e Comunicação
Morgani Guzzo
Elaine Schmitt
Luiza Waulczinski
Antônio da Silva Peres
Luísa Chiele Silva
Veronika Leyes Decker
Roberta dos Santos Sodó
Ana Luiza Zanetti

Webtransmissão
Elaine Schmitt
Ailê Gonçalves
Bruna Busnello
Ana Luiza Zanetti
Jaine Aparecida de Oliveira
Antônio da Silva Peres
Veronika Leyes Decker

Modalidades de inscrições disponíveis para VI Jornadas do LEGH: