Temática Geral e seus Eixos
A VII Jornadas do LEGH: Cidadania Digital e Política pretende abordar os desafios contemporâneos da cidadania digital, da participação política e das desigualdades nos ambientes digitais. O evento contribui para o avanço do conhecimento científico ao analisar, a partir de pesquisas acadêmicas, fenômenos como desinformação, vazamento de dados e o crescimento de fóruns online com teor misógino, racista, antifeminista e outros discursos de ódio. Conjuntamente, nos interessa refletir sobre os impactos na democracia, na educação e na vida pública.
No âmbito da Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI), o evento promove a difusão qualificada de resultados de pesquisa, fortalecendo redes de investigação e a formação de recursos humanos. A combinação entre atividades presenciais, transmissão online e produção de materiais de divulgação científica amplia o acesso ao conhecimento crítico, contribuindo para a democratização da ciência e para o uso socialmente responsável das tecnologias digitais.
A temática do evento dialoga diretamente com a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, especialmente no Estado de Santa Catarina, ao oferecer subsídios técnicos e analíticos para áreas como educação, ciência, tecnologia, inovação e promoção da cidadania.
O evento se destina a um público amplo, constituído de pesquisadoras, professoras de todos os níveis de ensino (escolar, técnico e universitário), estudantes de graduação e pós-graduação, agentes públicos ligados ao combate à violência na internet, profissionais interessados, ativistas de movimentos sociais e a sociedade em geral.
Profissionais de áreas de interesse, ativistas e agentes ligados à segurança na internet e cidadania digital são esperados como ouvintes ouapresentadores de trabalho. Toda a comunidade da UFSC e da sociedade em geral pode participar na categoria de Ouvintes, sendo que a inscrição é gratuita.
Objetivo geral:
Promover o debate científico interdisciplinar sobre cidadania digital e política, difundindo resultados de pesquisas acadêmicas e fortalecendo redes regionais e nacionais de investigação no campo dos estudos de gênero, internet e democracia. Nossa programação incluirá as seguintes conferências e mesas redondas, com pesquisadoras que podem contribuir para um debate aprofundado em torno da questão central da cidadania digital e de como ela se articula com a política.
Eixos:
1. Feminismos
Encaixam-se neste eixo propostas que envolvam o estudo de grupos, movimentos sociais, ações políticas e acontecimentos que possam ser relacionados aos feminismos, experiências de militância e ativismos de mulheres. A interseccionalidade é categoria transversal na construção das análises e explicações dos trabalhos deste eixo, que podem partir de diversos cenários, seja a rua, a academia, as instituições, organizações não governamentais, na internet ou em qualquer outro meio/local.
2. Mulheres na Política
Este eixo contempla trabalhos sobre a participação das mulheres em eleições numa abordagem interseccional, os movimentos que reivindicaram o voto para mulheres, a relação com partidos políticos, as leis que buscam ampliar a participação de mulheres nos espaços de poder, estudos comparativos sobre mulheres eleitas e suas trajetórias, as violências políticas de gênero, a presença de mulheres em cargos políticos não elegíveis, como secretárias e ministras, entre outros. Neste eixo são consideradas mulheres as pessoas que assim se identificam.
3. Misoginia, assédio e outras violências
Encaixa-se neste eixo qualquer proposta que analise, observe e problematize as múltiplas formas de violência contra as mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, como a misoginia, o sexismo e suas interseccionalidades com raça/etnia, classe, sexualidade, religião, capacidade, origem etc., e suas manifestações em espaços institucionais, na internet, nas relações de trabalho, na família, na educação, entre outros.
4. Gênero e Ciência
Contempla-se neste eixo qualquer proposta que reflita sobre a presença de mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, negras, indígenas, quilombolas e outros grupos vulnerabilizados na carreira acadêmica e nas várias áreas da Ciência. Podem ser inscritos trabalhos sobre trajetórias na Ciência, índices sobre a presença desses grupos em determinada área ou grau de escolaridade, obstáculos para o desenvolvimento científico destes grupos e outras temáticas relacionadas.
5. Memória e Gênero
Este eixo propõe pensar a construção da memória em sua conexão com as relações de gênero. Contempla trabalhos que realizam essa reflexão a partir das histórias, experiências, trajetórias de vida e vivências de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ e que apresentem diferentes lentes de análise, através de uma abordagem interseccional e descentralizadora. Trabalhos que se utilizem da História Oral como metodologia são bem-vindos, considerando sua potência na produção e valorização de memórias subalternizadas e plurais.
6. Comunicação, Cultura e Arte
Este eixo é dedicado a trabalhos que investiguem as relações entre mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ com práticas artísticas (cinema, artes visuais, literatura, teatro, música etc.), com mídias tradicionais e plataformas digitais, privilegiando abordagens que mobilizem a interseccionalidade como lente de análise. Com perspectiva de gênero e suas interseccionalidades, também iremos refletir sobre como esses campos podem ser, ao mesmo tempo, reprodutores de violências (como misoginia, LGBTfobia, classismo e racismo) e de resistências, promovendo diferentes níveis de articulação política.
7. (R)Existências LGBTQIA+
Este eixo temático busca reunir pesquisas dedicadas às formas de produção de vida e resistência da população LGBTQIAPN+. São bem-vindos trabalhos que dialoguem com diferentes campos da história a partir do uso de múltiplas linguagens e fontes históricas e que investiguem as subjetividades, as artes, artivismos e ativismos a partir de múltiplas dimensões no passado e no presente em contraposição às formas de violência sociais, culturais, políticas e econômicas produzidas pela estrutura cisheteonormativa.
8. Gênero e Ensino
Este eixo busca reunir pesquisas, intervenções pedagógicas e relatos de experiência que visem discutir os desafios e possibilidades das teorias e práticas de ensino estruturadas pela valorização do gênero no combate ao sexismo na cultura escolar. Receberemos propostas que: analisem os usos da categoria gênero nos currículos, materiais didáticos e de apropriação didática e nas aulas de história em seus diversos formatos; que debatam sobre a ampliação das mídias sociais no cotidiano de estudantes e professores/as, ao mesmo tempo em que os espaços de ensino-aprendizagem vivem a disseminação de uma cultura digital da violência; e abordagens que marquem a importância das lentes de gênero na esfera da educação básica e da formação inicial, incluindo educação infantil, letramento digital de jovens e adultos/as, o Estágio Supervisionado Curricular, entre outros.
9. Interseccionalidades e Direitos Reprodutivos
Este eixo propõe uma reflexão crítica sobre os direitos reprodutivos a partir de uma abordagem interseccional. Serão acolhidas propostas que: abordem as diversas experiências relacionadas à (não) autonomia reprodutiva, tais como maternidades, paternidades, contracepção, aborto, esterilização, entre outras; analisem políticas públicas e legislações relacionadas ao tema, retrocessos e ataques direcionados aos direitos reprodutivos; explorem iniciativas de resistência, mobilização social e promoção da justiça reprodutiva em diferentes contextos.


